A casa delas


Já faz tempo que quero escrever sobre elas. Desde aquele dia em que abriram sua casa para mim, em um dos gestos mais gentis e carinhosos que já recebi. Abriram, me convidaram para entrar, me sentiram parte, me acolheram como poucos, mesmo aqueles, não conseguem fazer.

Ontem, aconteceu de novo.
A casa foi aberta novamente, e dessa vez ela é amarela, tem um cachorro, uma mesa gigantesca e muito, mas muito amor no ar.

Nem preciso dizer como foi bom. Impressionantemente bom, do começo, desde a carona, do supermercado, se perder, achar o caminho, buscar a loirinha. A loirinha, Beatriz, cada dia mais linda. Do rosto de porcelana, tudo continua igual, mas as bochecas estão mais rosadas, e o olhar exala muito mais quentura e segurança.

Na dona da casa, apesar da dor de garganta que as vezes vem para aflingir, o ar era de mulher realizada. Nunca vi uma pequena crescer tanto em tão pouco tempo. Fiquei tão orgulhosa!

As risadas vinham de maneira espontânea, e as conversas eram tantas e tão envolventes que passaram-se quase cinco horas e poderíamos ter ficado mais. Nada precisa ser mudado, porque é tudo perfeito quando temos a sintonia do amor e do respeito.

E o que seria de nós se não fosse a nossa atriz preferida contando histórias de amor, e narrando a vida como ela deve ser: leve, cômica, mas uma pitada trágica. Ela que sabe contar historias como ninguém, nem preciso dizer, está radiante. E a mesma de sempre, mas algo mudou.

E aquela que desenha historias quando escreve, e nos deixa sempre admiradas com seu jeito de menina desajeitada e mulher segura. Cada dia mais brilhante, cada dia mais arrebatadora.

Elas todas, juntas, para mais uma memória de momentos bons, de segundos de vida bem-vividos, o afago no peito de que é só o começo. Vai ser sempre só o começo. Não existe fim para quem deixa a porta aberta.

Obrigada!

Teatro Apolo


"This is the meaning of our liberty and our creed -- why men and women and children of every race and every faith can join in celebration across this magnificent Mall, and why a man whose father less than 60 years ago might not have been served at a local restaurant can now stand before you to take a most sacred oath."

aniversário


Hoje, a gente faz três anos!

memórias tricolores


São lembranças longínquas.
Eu, minha vó, meu pai, meus tios e meus primos no estádio. Geralmente quando ela e eu íamos, o jogo era assim, desimportante, mas não menos emocionante. Me lembro que até personagem de matéria da Globo a gente virou, tres gerações tricolores.
Ao longo dos anos foi assim. Era sempre um evento familiar que podia ser no estádio, no CT do São Paulo, que meu pai era o único que tinha paciência e prazer de nos levar. Foi lá que ganhei um beijo e uma foto com o Raí, o maior de todos os ídolos; Se não tinha nem um nem outro, a gente sempre se reunia na casa da tia bele e do tio João no Morumbi, depois em Tamboré, ou na casa do Tio Colau.

Nascida em berço tricolor, de ambos os lados, por alguns anos minha relação com o time foi a de adolescente: me apaixonei por váaaarios jogadores! Além, é claro, do Rai, Denilson já foi meu fundo de tela no computador, toda vez que ele entrava em campo eu vibrava. Antes dele teve também o Leo (chorei copiosamente quando ele foi expulso naquele jogo da Copa do Mundo). O Caio, Dodô e tantos outros.

Hoje, ver o tricolor jogar virou também sinonimo de chope com o irmão, os primos, os amigos. Aí eu gosto. Confesso que não me tornei fanática.Tenho fases, mas geralmente sei pelo menos o nome do técnico e de alguns principais jogadores.

Mas memórias são memórias e hoje, quando meu time foi hexacampeão e eu comemorei numa festa bem singular, a dos sãopaulinos no RJ, lembrei de todos eles e tive saudades.

Porque futebol é assim. Você pode nem gostar, nem ver sempre. Mas não tem como não se emocionar no estádio, ou até mesmo em um bar onde todo mundo torce para o mesmo time. É bonito demais. Os hinos, a paixão dividida, o abraço apertado no desconhecido ao lado.

Uma das partes que eu mais gosto é quando a torcida puxa " olê telê, olê telê". Toda vez eu choro. E não sei porque, mas o Muricy me traz a mesma sensação de quando lembro do Telê, que marcou minha infância. Por isso abri um sorrisão hoje quando recebi uma mensagem do meu primo querido, logo após o final do jogo "Muricy, Telê. Tô Chorando!!"
Também chorei Rê! Daquelas lágrimas que caem sozinhas. Daquelas que tem gosto doce e parecem estar lavando a alma enquanto caem.

Here, there, everywhere


As vezes a gente se pega tentando planejar a vida. Falta alguma coisa, mas a coisa sempre vai faltar. Poderia fazer isso, mas aquilo também se encaixaria entre as várias possibilidades.
De repente cai no seu colo.
E você meio que decide ir. Tá bom, sei lá, eu vou.
Mal não vai fazer.

Desde então, as coisas parecem estar em outra dimensão.
"Como você tá?!"
Ah, eu tô.
Eu tô.
Eu tô por aqui.
"Mas, o que você tem feito?"
Ah, eu tenho feito.

Para mim essa experiência tem sido assim. Sendo. Tudo muito surreal. Como se fosse, mas não fosse.
De repente você se vê "invadindo" a turma alheia. Num aniversário de um amigo que não é seu, com uma turma que não é sua, numa cidade que não é sua.
Mas você se sente bem. Não gostaria de estar em qualquer outro lugar que não aquele.
Se pega admirando a amizade alheia. Como se dão os laços afetivos, as demonstrações de amor.
Um vai batizar sua filha amanhã. A outra fabrica penduricalhos de cabelo com as sedas que a vó deixou de herança e gosta de pintar as unhas de verde, azul, preto. A outra morou um ano em new york, mas voltou pra ficar com o namorado de quatro anos que ela conheceu num show do Jorge Ben.
E ai você se lembra como e o quanto as pessoas podem ser admiráveis. Como é apaixonante observar os caminhos que a vida toma, muitas vezes involuntariamente, mas com aquele pinguinho de empurrão que você dá, mesmo sem saber que tinha dado.
Tô feliz pra caralho. Satisfeita.
Estou aonde deveria estar, seja lá o que isso significa.

entrelinhas


Juro que buscava não pensar no momento em que vivia, e mergulhar na história de amor de André Gorz e sua Dorine. No conto de fadas da vida real, que como já disse (e provou em seus filmes!) E.Coutinho, pode ser mil vezes mais interessante que a ficção, duas pessoas são sim capazes de serem casadas por 60 anos e ainda assim se amarem e se desejarem tanto, que "nós desejaríamos não sobreviver um à morte do outro. Dissemo-nos sempre, por impossível que seja, que, se tívessemos uma segunda vida, iríamos querer passá-la juntos."

E enquanto me envolvia na história de um amor, lendo "Carta a D.", que Gorz escreveu a ela já no fim da vida, me deparei com uma digressão do intelectual francês sobre si próprio que encaixou-se mais que perfeitamente em mim.

" a vontade de não ser Nada se confunde com a de ser Tudo. É preciso aceitar ser finito: estar aqui e em nenhum outro lugar, agora e não sempre ou nunca [...]; ter apenas esta vida."


Tão simples de ler, mas dificil de viver! Ainda mais para quem, como eu, nasceu apostando corrida com a vida, sempre preocupada em absorver tudo e um pouco mais...tirar o pé do acelerador é mais que necessário, e parece que só mesmo um dia após o outro.

OBS: Carta a D. foi escrito por Gorz um ano antes de ambos cometerem suícidio. Romeu e Julieta? Vida real.

O livro, traduzido para o português, é da Cosac: http://www.cosacnaify.com.br/noticias/extra/gorz/

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